Musiquinhas
link
[Flash 9 is required to listen to audio.]
20 plays

Uma das primeiras que gravei - sempre na precariedade característica. Foi em 2003, salvo melhor juízo. Há uma coisa engraçada sobre essa música, que é o fato da letra ter sido mudada depois de concluída. Antes, quando gravada por Maria Bethânia, era “e acertou no meio exato da garganta”, mas na regravação, pelo autor, isso virou “e se viu ferido justo na garganta”. Outra particularidade: a forma, digamos, ‘correta’ de executar essa música exige que, ao final, uma parte inteira seja entoada sem emitir palavra - segundo a boataria-dos-fãs, seria algo que não pode ser dito, mas faria parte da música ou algo assim (isso foi alimentado pelo fato de que Caetano já se recusou algumas vezes a falar dessa canção).

O Ciúme
(Caetano Veloso)

Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme

O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta (E acertou no meio exato da garganta)
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta

Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu

Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê

Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme