Musiquinhas
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Caetano fazia marchinhas de carnaval, lançadas como compactos simples, isso durante muitos anos - várias delas foram reunidas no LP “Muitos Carnavais” - ele também regravava alguns clássicos etc. A idéia de cantar “Filha da Chiquita Bacana” seguida de “Chuva, Suor e Cerveja” - tornando-as meio gêmeas - veio em “Circuladô ao Vivo”, de 1992.

“Samba, Suor…” acho interessantíssima porque a letra faz o sonzinho da chuva - deve haver um nome para isso dentre as milhares de figuras de linguagem que nos ensinam. Mas não sei, ou devo ter esquecido. Reparem no som da voz em “abaixo, acho, que a chuva…” e também na outra parte.

E, sim, gravado tudo aqui toscamente, como sói.

A Filha da Chiquita Bacana
(Caetano Veloso)

Eu sou a filha da Chiquita bacana
Nunca entro em cana porque sou família demais…

Puxei à mamãe, não caio em armadilha …
E distribuo banana com os animais

Na minha ilha, iê, iê, iê
Que maravilha, iê, iê, iê
Eu transo todas sem perder o tom

E a quadrilha toda grita iê, iê, iê
Viva a filha da Chiquita iê,iê, iê
Entrei pra “Women’s Libe ra tion Front”

Chuva Suor e Cerveja
(Caetano Veloso)

Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça

A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça

Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver

Venha, veja, deixa
Beija, seja
O que Deus quiser…

A gente se embala
Se embora se embola
Só pára na porta da igreja

A gente se olha
Se beija se molha
De chuva, suor e cerveja…

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Só voz, tosquice etc. Mas gosto muito dessa, que também foi gravada pelo REI Roberto.

Muito Romântico
(Caetano Veloso)

Não tenho nada com isso nem vem falar
Que eu não consigo entender sua lógica
Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica

Mas acontece que eu não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu
Acho que nada restou pra guardar ou lembrar
Do muito ou pouco que ouve entre você e eu

Nenhuma força virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra se cantar
Sou o que soa eu não douro pílula

Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar num cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico

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Não vale rir da pronúncia, obviamente.

London London
(Caetano Veloso)

I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round, nowhere to go

While my eyes go looking for flying saucers in the sky (2x)

Oh Sunday, Monday, Autumn pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them
It’s good at least, to live and I agree
He seems so pleased, at least
And it’s so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree

While my eyes go looking for flying saucers in the sky (2x)

I choose no face to look at, choose no way
I just happen to be here, and it’s ok
Green grass, blue eyes, grey sky
God bless silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say (2x)


While my eyes go looking for flying saucers in the sky

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Uma das primeiras que gravei - sempre na precariedade característica. Foi em 2003, salvo melhor juízo. Há uma coisa engraçada sobre essa música, que é o fato da letra ter sido mudada depois de concluída. Antes, quando gravada por Maria Bethânia, era “e acertou no meio exato da garganta”, mas na regravação, pelo autor, isso virou “e se viu ferido justo na garganta”. Outra particularidade: a forma, digamos, ‘correta’ de executar essa música exige que, ao final, uma parte inteira seja entoada sem emitir palavra - segundo a boataria-dos-fãs, seria algo que não pode ser dito, mas faria parte da música ou algo assim (isso foi alimentado pelo fato de que Caetano já se recusou algumas vezes a falar dessa canção).

O Ciúme
(Caetano Veloso)

Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme

O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta (E acertou no meio exato da garganta)
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta

Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu

Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê

Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme

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Somente voz etc. Essa é do disco Qualquer Coisa, mas a canção é absurdamente antiga. Marisa Monte também a cantou, foi em NY num show com Arto Lindsay (tenho isso num VHS das antigas, e ele - Arto - viria a produzir “Mais”). Mas gosto mesmo da versão de Qualquer Coisa, claro.

Madrugada e Amor
(José Messias)

Madrugada chegou
O sereno caiu
Meu amor de cansaço
Deitou no meu braço
Sorriu e dormiu
Eu só queria
Que o dia não viesse
Terminar a madrugada
Eu só teria amor
Amor e mais nada

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Uma das músicas de que mais gosto. Gravada no velho esquema improvisation. Curiosidade: há uma versão “masculina”, em que se troca “sou flor da primeira música” por “sou o som da primeira música”.

Reconvexo
(Caetano Veloso)

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia

Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?

Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não, e nem disse que não

Eu sou um preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música,
A mais velha mais nova espada e seu corte

Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gita Gogóia
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar

Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo.

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Também apenas voz. Essa é pouco conhecida, abre o disco “Jóia” e eu gosto muito porque a letra é simples e maravilhosa, além da melodia ser mto bacana.

Minha Mulher
(Caetano Veloso)

Quem vê assim pensa que você é muito minha filha
Mas na verdade você é bem mais minha mãe

Meu bichinho bonito
Meu bichinho bonito
Meu bichinho bonito
Tudo é mesmo muito grande assim
Porque Deus quer

Minha mulher
Minha mulher
Minha mulher

Quando eu for velho
Quando eu for velhinho
Bem velhinho
Como seremos?
Como serei?
Como será?

Meu bichinho bonito
Meu bichinho bonito
Meu bichinho bonito
Tudo é mesmo muito grande assim
Porque Deus quer

Minha mulher
Minha mulher
Minha mulher

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Gravação precária, voz e violão tudo de uma vez, no PC, sem edição. Etc. etc. etc.

Você Não Entende Nada
(Caetano Veloso)

Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você é tão bonita

Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como

Você não está entendendo
Quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora

E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo

Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita

Traz meu café com suita eu tomo
Bota a sobremesa eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como

Você tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora

E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo

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Do primeiro disco de Londres, gravada em 1971. Essa versão, absurdamente precária (claro, gravada por mim), é de 2003; voz e violão tudo de uma vez, no microfoninho do PC, aquele negócio.

If You Hold a Stone
(Caetano Veloso)

If you hold a stone, hold it in your hand
If you feel the weight, you’ll never be late
To understand
But if you hold the stone, hold it in your hand
If you feel the weight, you’ll never be late
To understand

If you hold a stone, marinheiro só
Hold it in your hand, marinheiro só
If you feel the weight, marinheiro só
you’ll never be late, marinheiro só
To understand…

Mas eu não sou daqui
Marinheiro só
Eu não tenho amor
Eu sou da Bahia
De São Salvador

Eu não vim aqui
Para ser feliz
Cadê meu sol dourado
E cadê as coisas do meu país